
Número de páginas: 300
Tamanho: 14 X 21cm
ISBN 85-89543-07-2
Preço: R$ 30,50
Publicação: Edição Ampliada 2006
CHAGDUD TULKU RINPOCHE
Como um portão que se abre, esta coletânea de ensinamentos apresenta a sabedoria tradicional do budismo tibetano a leitores ocidentais, no estilo único e acessível de S. Ema. Chagdud Tulku Rinpoche.
Em uma linguagem clara e direta, o livro entremeia histórias da terra natal de Rinpoche, o Tibete, com uma exploração passo-a-passo dos fundamentos e essência do budismo vajraiana. S. Ema. Chagdud Tulku Rinpoche aponta as causas do sofrimento e nos ensina a lidar com elas para criarmos liberdade definitiva para nós mesmos e para os outros.
Por que precisamos de um caminho espiritual? Vivemos em um tempo muito atribulado, em que nossas vidas transbordam de atividades — algumas alegres, algumas dolorosas, algumas gratificantes e outras, não. Por que deveríamos reservar um tempo para as práticas espirituais?
Conta-se muito a história de um homem de uma região no norte do Tibete que decidiu fazer uma peregrinação com seus amigos até o Palácio Potala, a residência do Dalai Lama, em Lhasa, um lugar muito sagrado. Era uma viagem que marcava a pessoa pelo resto da vida.
Naqueles dias, não havia carros ou veículos de qualquer espécie na região, e as pessoas viajavam a pé ou a cavalo. Demorava-se bastante para chegar a qualquer parte e era perigoso ir muito longe, já que inúmeros ladrões e bandidos assaltavam viajantes incautos. Por esses motivos, a maioria das pessoas nunca deixava sua região natal, do nascimento à morte. A maioria delas nunca havia visto uma casa; moravam em tendas pretas tecidas com fibra de pêlo de iaque.
Quando esse grupo de peregrinos finalmente chegou em Lhasa, o homem do norte ficou assombrado com o Palácio Potala e seus múltiplos andares, suas muitas janelas e a vista espetacular da cidade que se descortinava do interior. Ele enfiou a cabeça por uma abertura bem estreita que servia de janela para ter uma visão melhor, virando a cabeça para a direita e para a esquerda, enquanto olhava a vista ali em baixo. Quando seus amigos o chamaram para ir embora, ele puxou a cabeça para trás com um solavanco forte, mas não conseguia tirá-la da janela. Ficou muito nervoso, puxando de um lado e de outro.
Por fim, concluiu que estava realmente entalado. Então, disse a seus amigos, “Podem ir para casa sem mim. Digam a minha família que a notícia ruim é que morri, mas a notícia boa é que morri no Palácio Potala. Haveria lugar melhor para alguém morrer?” Os amigos eram também gente muito simples, de modo que, sem muito refletir, concordaram e foram embora. Algum tempo depois, o zelador do templo apareceu e perguntou, “Mendigo, o que você está fazendo aí?”
“Estou morrendo”, ele respondeu.
“Por que você acha que está morrendo?”
“Porque minha cabeça está entalada.”
“E como é que você a pôs aí?”
“Eu a enfiei fazendo assim.”O zelador respondeu, “Então, tire-a da mesma maneira que entrou!”
O homem fez o que o zelador sugeriu e se soltou.
Como esse homem, se conseguirmos enxergar onde é que estamos presos, poderemos quebrar nossas amarras e ajudar os outros a fazer o mesmo. Mas, primeiro, precisamos entender como viemos parar onde estamos. (p. 3-4)