Comentários sobre Tara Vermelha

Comentários sobre Tara Vermelha

Número de páginas: 96

Tamanho: 11,5 X 18,5cm

ISBN: 1-881847-04-7

Preço: R$ 12,50

Publicação: Terceira Edição 2007

CHAGDUD KHADRO

Este livro é um suplemento à prática concisa intitulada Tara Vermelha: Uma Porta Aberta para a Bem-Aventurança e o Estado Desperto Definitivo. Ele guia o praticante por todos os passos da prática, explicando o seu significado e oferecendo instruções detalhadas. É de especial valor para os iniciantes no budismo tibetano e na prática de meditação com deidades.

Trecho do livro

O budismo é, às vezes, visto como um caminho espiritual sombrio, em decorrência da ênfase que dá ao sofrimento no samsara. Entretanto, reconhecer claramente o sofrimento é o primeiro passo para se encontrar uma saída; é também um remédio para todas as nossas falsas esperanças e nossa tendência de buscar apoio em prazeres efêmeros que resultam em decepção.

O noticiário da televisão é suficiente para que nos deparemos com imenso sofrimento; basta refletir sobre os acontecimentos dolorosos na vida daqueles que nos cercam, ou explorar as constantes correntes por debaixo de nossos próprios problemas, para podermos confirmar que a tristeza e o sofrimento permeiam toda a existência. Tal reconhecimento pode nos devastar e nos esgotar. Pergunta-mo-nos então como foi que isso veio a acontecer, sem de fato esperar uma resposta. Os ensinamentos budistas, porém, são claros sobre esta questão. O sofrimento, em todas as suas inúmeras manifestações, tem uma única fonte: a delusão da mente dualista.

Para entender esta confusão em sua origem, imagine um estado em que os fenômenos surjam e se desfaçam naturalmente, sem qualquer diferenciação entre eu e outro. Essa consciência não-diferenciadora de repente se agita com uma ligeira apreensão de algo mais e então se contrai em torno de um sutil senso de eu. Surge daí a diferenciação de cor e forma seguida pelas emoções aflitivas da atração e aversão, apego e rejeição, esperança e medo.

A seguir, tais tendências dualistas ocasionam formações fictícias – tanto num nível mental quanto elemental – de “eu” e projeções mais densas de “outro”. À medida em que toda essa configuração mente-corpo vai se tornando cada vez mais espessa, os seres renascem sucessivamente em corpos e reinos que correspondem às tendências desenvolvidas em seu fluxo mental. Logo, eles ficam sujeitos aos resultados cármicos criados por essas tendências, mas como estão perdidos nos padrões da confusão dualista, são incapazes de remeter os eventos cármicos de volta à sua origem na mente. Em sua ignorância, atribuem tragédias a golpes do destino, triunfos inesperados à sorte. Não vêem que todos os aspectos de sua situação, inclusive os corpos que habitam, foram auto-criados ao longo de incontáveis vidas.

A mente dualista, essa que se agarra ao eu e dá prioridade a seus próprios interesses em detrimento dos interesses das outras pessoas, manifesta-se como os cinco venenos, os quais, por sua vez, levam a seis tipos de renascimento: a ignorância, a um renascimento como animal; a ganância ou avidez, a um renascimento como espírito faminto; a raiva, a um renascimento como um ser do inferno; a inveja combinada com alguma virtude, a um renascimento como um deus invejoso (também chamado semi-deus); o orgulho combinado com virtude, a um renascimento como um deus de longa vida (sct. deva); e grande virtude combinada com uma mistura de todos os cinco venenos, a um renascimento humano. (p. 12-13-14)