
Número de páginas: 138
Tamanho: 11,5 X 18,5cm
ISBN: 85-86227-04-8
Preço: R$ 16,00
Publicação: Rigdzin Editora 2000
CHAGDUD KHADRO
P’howa é um método budista vajraiana pelo qual a consciência de uma pessoa é intencionalmente transferida para um reino puro no momento da morte. O treinamento de P’howa faz com que a aproximação da morte seja uma oportunidade única para se obter liberação da existência cíclica ao invés de uma experiência de medo e incerteza. Neste livro, Chagdud Khadro explica o processo da morte, os passos envolvidos no treinamento de p’howa baseados no texto do tesouro oculto do mestre de meditação Rigdzin Longsal Nyngpo, os meios de se realizar p’howa no momento da morte, tanto para si como para os outros, e como integrar p’howa na prática de meditação diária.
A morte humana divide-se em duas categorias: morte como o término natural de um período de vida, por doença ou senilidade, ou morte extemporânea, por acidente ou violência. A morte de cada pessoa tem elementos únicos conforme as circunstâncias, sua condição física e seu estado mental. Uma descrição geral dos processos da morte humana, no entanto, nos ajudará a compreender o que é a morte. Talvez seja mais útil olhar para essa experiência do ponto de vista de quem está morrendo. (p. 49)
O bardo do local de nascimento e o bardo do sonho são semelhantes em sua natureza ilusória. Através do cultivo do reconhecimento da qualidade onírica da vida acordada e do cultivo da meditação em nossos sonhos, podemos penetrar a aparente realidade de cada estado e libertar o apego da mente à aparência ilusória.
Como praticantes de p’howa, deveríamos refletir todas as noites sobre o dia passado. Se, por ventura, morrêssemos à noite, estaríamos satisfeitos com as realizações daquele último dia? Se tivermos nos envolvido com negatividade, devemos rezar para sermos purificados utilizando os quatro poderes, ou seja, testemunha iluminada, remorso, compromisso de não repetir nossas ações negativas e purificação pela luz ou néctar. Se tivermos gerado algum mérito através de atividades virtuosas, devemos nos regozijar por ter tido tal oportunidade. Nunca se perde nada na equação cármica. Até mesmo um único gesto de bondade, como alimentar um cachorro ou pássaro faminto, tem significado e multiplicidade e será a causa para melhores condições no futuro. Para multiplicar esse mérito ativamente, devemos dedicá-lo para o bem-estar de todos os seres. Como uma gota de chuva dissolvendo-se no oceano, o benefício se expande e nunca diminuirá.
Tendo refletido sobre o dia dessa forma, passamos a contemplar nossa morte. Imaginamos diferentes enredos: um acidente de carro, câncer, ataque por assaltante armado, um tiro. Devemos tornar nosso drama tão vivo que faça surgir verdadeira ansiedade em nossa mente. Afinal, nenhum de nós sabe como vai morrer ou quando. Todas as possibilidades estão aí, na periferia da nossa existência, e uma delas certamente emergirá de acordo com nosso carma.
Tendo-se p’howa como um método, obtém-se segurança. Mesmo ao imaginarmos a dolorosa separação de amigos e família, o peso do corpo e as últimas respirações ofegantes, experimentamos paz, em um nível mais profundo, e devoção pelo nosso lama inseparável de Amitabha. Almejamos pela união e sentimos alegria com a possibilidade de continuar nosso caminho em Deuatchen. Dentro dessa estrutura, fazemos diversas seqüências de transferência, alguma prática de longevidade, se quisermos, dedicamos e então dormimos. (p. 86-88)”