Comentário sobre o Ngondro

Comentário sobre o Ngondro

Número de páginas: 156

Tamanho: 14 X 21,5 cm

ISBN: 85-89543-02-1

Preço: R$ 24,00

Publicação: Edições Chagdud Gonpa 2003

CHAGDUD KHADRO

Neste livro precioso estão reunidas não só instruções de práticas preliminares do budismo tibetano, como também uma rica explanação dos fundamentos da doutrina budista tibetana. Aconselhado para todos que gostariam de começar a explorar com um pouco mais de profundidade essa jóia que é o ensinamento budista.

Trecho do livro

Começamos o processo de desenvolver uma perspectiva espiritual, através da contemplação da preciosa oportunidade de havermos obtido um prendado nascimento humano, como uma base de trabalho para o desenvolvimento espiritual. Nosso corpo pode ser comparado a um barco e nossa mente a seu capitão. Se os utilizamos bem, poderemos cruzar as traiçoeiras correntezas da existência cíclica até as margens da verdade absoluta. Obter essa excelente oportunidade e não fazer uso dela, representa um enorme desperdício – como se tivéssemos viajado a uma ilha de jóias que realizam desejos e não houvéssemos trazido nenhuma de volta conosco. Que arrependimento sentiríamos!(p. 39)

Ao empreendermos o ngöndro, nós adquirimos determinadas habilidades que usaremos por diversas vezes na prática Vajraiana. Aprendemos a contemplar, a desenvolver uma visualização, a recitar orações e mantras, a fazer prostrações e oferendas de mandala, a dissolver a visualização e a descansar em meditação não-conceitual. Começamos nossa prática com motivação pura, seguimos as instruções da linhagem em cada seção, redirecionamos nossa atenção quando ela se distrai e terminamos com a dedicação pura da virtude para todos os seres sencientes.

No todo aprendemos como meditar. Meditação significa direcionar a mente, treiná-la, através da repetição, até que aquiesça às nossas mais elevadas intenções espirituais. De início, obstruídos pelos venenos mentais, hábitos e obscurecimentos, devemos fazer um grande esforço. Mas no momento em que nos libertamos de complicações e confusões, a meditação não requer mais esforço e se transfere da prática formal para a vida cotidiana, do dia para a noite, de uma vida para outra. Não existem momentos separados da rica revelação da meditação.

No entanto, a maioria dos praticantes acha que o ngöndro é rigoroso, requer muito esforço e é, às vezes, frustrante. Mesmo para começar o ngöndro precisamos ter, em certa medida, fé no caminho budista. A prática por si só aumenta a fé, que, por sua vez, nos leva através de todos os desafios que o ngöndro nos propõe. A fé é uma qualidade insuperável para um praticante espiritual. Inicialmente, ela pode despertar ao ouvirmos algum fragmento de um ensinamento, ao vermos um lama ou uma imagem. A mente é momentaneamente sacudida de seus hábitos comuns e experimenta frescor, clareza e contentamento. Esse primeiro nível de fé é chamado de “fé clara”. Se este primeiro despertar impulsiona para a prática espiritual, a fé se aprofundará através da experiência transformadora de ouvir os ensinamentos e aplicá-los. A isto se chama de “fé profunda”. Alguém que sinceramente contemple e medite no Darma, geralmente sente mudanças positivas dia a dia, ou certamente semana a semana. Essas mudanças incluem uma diminuição dos venenos da mente e tendências habituais, assim como um aumento da compaixão pelos outros e uma perspectiva mais clara.

A fé que se desenvolve quando contamos inteiramente com a espiritualidade para guiar nossas vidas é chamada de “fé irreversível”. Uma vez que essa fé esteja desenvolvida, não voltaremos atrás, a despeito de quaisquer obstáculos que surjam no caminho. Na verdade, já que nossa prática se fortalece diante dos obstáculos, podemos não mais temer os obstáculos, nem mesmo ter aversão por eles. Adquirimos a confiança de que podemos transformar o que quer que a vida nos reserve numa oportunidade para o crescimento espiritual.” (p. 21 – 22)